domingo, 30 de março de 2008

Tentativa de Definição do que nao é determinado


Nós, há vários nós, pelo teto, chão e paredes. Há um louco que entra e sai de cada fresta úmida, do quarto, que de tão estreito, os paralelos que o cercam, se confundem e se refletem, e se fazem infinitos em seu microcosmo. E o louco desata cada nó em que tropeça. Mas se desfaz um, outro tropeço acontece. E como numa neurose ao avesso, cada desembaraço é comemorado e sentido como um pedaço de sua carne a desprender-se. Num paradoxo qual sede intensa, esse ser que quase se esquece homem, pois em seu reflexo não percebe cabelos, pêlos, nem mesmo pele, mas sim uma lança enorme de mármore a apontar sem direção mas sempre com objetivo, ao se perceber assim se sente mais homem que nunca antes. Gargalha.
Outro desembaraço. Mais um pé se prende. Tropeço. Se solta asperamente um pedaço de carne, que se espatifa, escorre, evapora, escancara, para além desses limites. Percebe.
E a cada raio de luz, de cruz, e de vento que chega aos seus olhos, desses outros lados, outros campos, outros espaços, outras paredes, outros quartos, outros nós. Tropeço outros... Percebe.
E pelas rachaduras, imperfeições, infiltra-se, interage. A fuga toma seus sentidos, compacta-se no quarto que se faz menor e mais infinito. Porém ao se recordar de sua imagem, direção novamente não tem, mas certeza, e próprio medo que desequilibra, faz enrijecer seus músculos que tomam rumo a desconhecido – outro. Conhece.
Alastra-se em dimensões outras, e tão suas agora. Agora não só seu pé, mas seu corpo todo se embaraça, para se livrar das tenções. E o universo acende-se Novos cantos, novos carreiros, indicam sem compromisso. Re-conhece.
Seus braços se tornam então bem mais amplos do que se mostram. Suas mãos se perdem e se vão, e se vão, e se vão... seu peito se abre. Se fazendo atingir, por várias e distintas infiltrações externas, ele sente suas paredes abalarem-se por sua expansão. E se vão, e se vão, e se vão... Pensa. Pára de pensa. E pensa. E vai.
E então, quando fecha seus olhos pra dormir, sente as pulsações vindas do núcleo da Terra, que sem descrever nada, nunca para de girar. E sonha, em fim: uma caneta de tinta nervosa, se aflige, ao se esvair-se em aspirais pelo asfalto, pergunta-se: “será isso uma resposta? Terá?”. Tropeço. Ponto. Ponto reticente.

Um comentário:

Tempero Musical disse...

Olá, estava passeando pela net e vi seu blog... Tenho um blog musical, bastante eclético. A proposta é a divisão musical segundo temperos e cores auditivas. www.temperomusical.blogspot.com ;-)